Brave New World (Admirável Mundo Novo) foi o primeiro livro não técnico que li em inglês (como este é meu site pessoal, deixo o registro). Dizem por aí que é um clássico que faz pensar.
Bem, o livro não tem nada de mais. É uma estória lenta, como era boa parte das estórias na época. O que o livro tem realmente de marcante é que vemos uma semelhança das suas estruturas em nosso sistema moderno de vida.
Ele baseia-se em alguns aspectos culturais que hoje temos por universais:
- a sociedade em que se baseia o livro é puramente consumista, com propaganda para tal;
- a organização deles deu-se em um ponto ótimo, em que os humanos são cultivados (isso mesmo, in vitro, num livro de 1932) para exercer cargos específicos e ter comportamento social específico;
- o governo (inglês) impõe regras rígidas de conduta, e de uma forma que as pessoas não percebem que isto lhes é imposto. São educadas desde o nascimento para pensar que as coisas são desse jeito mesmo;
- a organização social é extremada a ponto de ser prejudicial, mas só percebe isso quem está "de fora".
Não é difícil imaginar que, qualquer coisa que tenha vindo depois do livro, faça pensar nele.
O livro conta as diferenças entre esta sociedade extremamente organizada, em que as famílias não existem (todos são criados pelo Estado) e não há o sentimento de exclusividade - todos pertencem a todos - e a sociedade "in natura", em que as pessoas nascem de mães, e há velhice e rancor.
Na sociedade organizada, encontrou-se uma droga que não possui efeitos colaterais: a soma. Todos são estimulados a usarem-na. A sociedade vive em eterno êxtase. Não há males - brigas, confusões, maus sentimentos - que não podem ser curados com uma dose.
O namoro foi substituído por orgias (repito, o livro é de 1932), já que todos pertencem a todos. As pessoas são fecundadas para ocupar postos de trabalho. Dependendo da quantidade de postos previstos, são fecundados diferentes tipos de pessoa para ocuparem-nos nos anos seguintes. Postos que necessitem de pensamento abstrato são ocupados por pessoas alfa; com complexidade menor, pelos beta, e assim por diante, até chegar aos epsilon, a casta mais baixa. Cada um desses grupos é condicionado a se identificar por cores, esportes e hábitos de consumo específicos. Todos devem produzir, consumir e tomar sua soma.
Diante deste quadro, o nosso herói, que parece não se enquadrar bem na sociedade, inicia uma expedição a uma terra selvagem e traz de lá dois habitantes: um adulto jovem e sua mãe. A primeira parte do livro descreve a sociedade nova. A segunda parte foca nas desventuras deste nativo. Ele visita um hospital, gosta de uma mulher e acaba o livro tentando voltar à sua terra, sendo televisionado por várias equipes de TV como uma curiosidade local.
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